Noites Insoniaradas

03:51 Nathalia Russo 0 Comments

Como dizia Chico há alguns muitos anos distantes de mim “E eis que chega a Roda Viva e carrega o destino pra lá ...” que é outro termo que eu não consigo deixar de ignorar “Pra lá”. Precisei novamente procurar uma psicóloga pra poder entender porque ontem eu era uma pessoa, e ... eis que chega a roda viva e carrega essa pessoa ... PRA LÁ!
A Roda viva carregou alguém que gostava de escrever, isso eu lamento. Além desse lado, mudou também o fato de eu me sentir uma psicopata da alma ao lidar com outras pessoas apenas para descarregar sentimentos e desaforos causados exclusivamente por mim, eu gostava disso. Gostava de Chico, Maria e Elis, Porque não lembrar da Rita, Zélia e ... e.. Outros.
Antigamente, eu atraia as mentes de executivos muito mais avançados do que eu, já me relacionei com um professor de inglês com seus 40tão, divorciado e Pai, também gostava de brincar com dono de uma famosa imobiliária pra cima dos 40, solteiro ou não quis me deixar a par. Gostava de homens mais velhos, tinham mais conteúdo, e o fato de não poder nada ser consumido era melhor, me sentia mais segura, eles não teriam coragem de fazer nada contra uma criança como eu. Gostava de manipular os homens, gostava tanto que fui chamada para colunista de uma revista feminista, Adorava! meu trabalho se resumia em sair com alguém e contar como foi tirar uma na cara de um homem qualquer. E nessa missão já quebrei muito a minha própria cara, casados, com filhos, ex-mulheres alucinadas me fazendo ameaças. Enfim.
Era vida de escritora aventureira que eu sinto falta. Falta de procurar inspiração. Falta de chorar por alguém ou por algo, falta de fortes emoções e falta de só me preocupar com isso... EU
Esse EU fugiu, hoje um outro “eu” casou, tem uma casa, tem um marido. E aquele conto de fadas dramático mudou para uma vida real. Lembrei o motivo de nunca querer casar, um dia temos que trombar de frente com a nossa realidade. Porque a Roda Viva não para de girar.
Tenho meus princípios, mesmo recordando de quem eu era, uma mulher forte e avassaladora, difícil e supermanipuladora, Eu CASEI! ... como se diz por ai, “sosseguei o facho” ... “o Vento Rodou num instante, nas voltas do meu coração”
Mudei, hoje não escrevo mais ouvindo Chico, escrevo ouvindo a máquina de lavar roupa me lembrando que daqui a pouco vou ter que ir lá recolher e estender as roupas no varal. Não escrevo mais com motivos óbvios que tinha depois de um encontro às cegas com alguém, escrevo simplesmente porque ... deu vontade de ser como eu era antes.
Não deixei de amar meu Marido, e acho que isso nunca vai acontecer, e se um dia ocorrer, espero estar bem chata e tola pra compreender que numa altura dessas nem adianta procurar outrem que me suporte. Não! Meu marido não tem idade suficiente para me tratar como filha como antes, o que não era de se esperar, o fato de eu querer dividir experiências novas não se encaixaria com alguém que já tinha vivido, e essa verdade caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça. Foi quando sorrateiramente eu notei que tudo que eu gostaria de fazer era tedioso para meus companheiros amorosos... e eu nunca fazia nada!
Eu AMO viver experiências com meu cônjuge, mesmo que essas sejam... limpar a casa, faze comida ( isto está sendo uma grande aventura ) lavar e passar... pagar as contas, e AMAR... fazer amor sem peso na consciência, a qualquer hora e a hora que der vontade! E experimentar ... experiências como essas não tem preço! ( não achei palavra melhor )

E Assim a Roda Viva vai !